Educador sim, professor não

Alunos e professores devem ser parceiros na construção do conhecimento, devem olhar para a mesma direção, com os mesmos objetivos e não com quedas de braço, desafios e discussões.
É possível, sim, manter uma boa relação entre alunos e professores, sem autoritarismo e cabeça baixa. Mas como?
Alguns educadores, sentem-se fracassados, impotentes e desanimados com a profissão. Acabam, muitas vezes, abandonando o ideal construído antes mesmo de iniciarem a carreira docente.
Na verdade, ser educador é ter que confrontar-se, diariamente, com a necessidade de decidir e agir imediatamente. E para que dê certo, estratégias devem ser criadas para que o melhor resultado aconteça.
A elaboração de regras em conjunto, por exemplo, pode ajudar.  
Qual a real necessidade de se fazer silêncio e prestar atenção no conteúdo que o educador está ensinando?
Juntos, chegarão à conclusão simplória de que, com parceria, cada um cumprindo o seu papel, o conhecimento fluirá.
O contato deve ser de igual para igual, com respeito e vocabulário de fácil entendimento. Questionamentos também ajudam a manter a atenção dos alunos, pois eles se sentem importantes, a autoestima melhora e terão mais vontade de participar. É um movimento cíclico que só acrescenta ao aprendizado.
Lembre-se de que a imposição da obediência cega e do silêncio absoluto gera um ambiente hostil e, consequentemente, desafiador, no sentido de disputa por ‘quem pode mais’.
Sem negociações preestabelecidas o professor, não o educador, sentir-se-á desrespeitado e desacatado, solicitará uma decisão por parte da direção da escola, instituindo assim, sua incompetência em lidar com adversidades, muitas vezes, desgastantes e que chegam ao limite máximo do abuso de poder, como quando se diz em sala de aula: “Vou considerar matéria dada”, complementando com “vai cair na prova! ”.
Um educador, nesta mesma situação, agiria com empatia. Sentaria na cadeira deste aluno e tentaria enxergar o quanto o assunto a ser dado requer uma estratégia mais sedutora, divertida e ‘menos chata’, dando ao aluno, seu parceiro de aprendizagem, mais autonomia e oportunidade de participação na construção do conhecimento.
O tempo que passam na escola deveria ser mágico e de encantamento, o momento de descobrir e construir um mundo melhor e solidário, algo sublime e não tortuoso como, infelizmente, vemos por aí.
A instituição escolar deveria permitir a aproximação de cada um consigo mesmo, deveria proporcionar a descoberta do outro e ensinar à essa criança, o se posicionar frente aos limites.
A indisciplina vem justamente daí, do próprio ambiente escolar que está cada dia mais distante da realidade do aluno, vem da monotonia, da falta de autoridade, falta de criatividade e novidade, da rigidez, dos rótulos e estereótipos.
Já as regras claras, consentidas no coletivo, geram prazer ao serem cumpridas, pois todos querem participar ativamente da verdade e, principalmente, de algo que foi criado conjuntamente.
Grande parte dos professores não sabe ao certo como administrar o ato indisciplinar, não compreende que assim ele será um dos agentes causadores da desobediência e da bagunça, pois diante de aulas maçantes, desmotivadas, sem criatividade e repetitivas, os alunos agem com indisciplina.
Muitos enxergam que o bom aluno é o que fica em silêncio e não questiona, é obediente e acolhe tudo que o professor diz. O indisciplinado, aos olhos deste mesmo professor, é o que contesta, questiona e apresenta seu ponto de vista.
Coerção e punição não funcionam mais, prova não é acerto de contas. Estamos em um novo momento e devemos nos adequar à realidade. O saber escutar, a empatia, o compartilhamento de experiências, estão em voga e devemos ter um novo olhar.
Um educador e não um professor se faz necessário, um profissional consciente de seu papel traz a diferença. Reflita! Aprenda com seus parceiros/alunos e dê ênfase às necessidades deles. Seja educador!

Janaina de Abreu Gaspar
CRP nº06/78629

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